Pelo menos você já ouviu falar disso? De 1926 a 1979, no México, todo um povo cristão armado de facões e velhos bacamartes enfrenta, ao canto de Christus Vincit, os regimentos federais que arvoram a bandeira negra com tíbias cruzadas e que gritam: Viva o Demônio!
Chamam-no os Cristeros. Sua epopéia assinalou-se com mortes e deu à Igreja universal mais mártires do que a reconquista espanhola, dez anos depois. A Cristiada entra na comunhão dos santos em igualdade de condições com os do levante católico e realista da Vendéia. No entanto, ela é conhecida somente de alguns especialistas.
“A dimensão do fenômeno cristero”, diz muito bem Jean Meyer, “é encarecida pelo cuidado que dispensaram os censores em calá-lo. É notável a coincidência entre Igreja e Estado, que mostram a mesma obstinação em apresentar uma versão oficial, truncada e comum: houve conflito entre as duas instituições, pois o heroísmo e o patriotismo dos clérigos e o dos homens de Estado permitiram, conforme as versões, lograr um modus vivendi em que cada qual entrevê a sua vitória. Nesta versão de duplo sentido, só há um ausente: o povo em armas que, durante três anos, resistiu a todas as forças administrativas, econômicas e militares do Estado mexicano, solidamente escorado nos Estados Unidos.”1.

