quinta-feira, 5 de março de 2015

Lutero: o moralista da lama




Acabamos de ver a ação exterior de Lutero: é um homem sanguinário.


O que vimos é apenas uma das facetas de sua pessoa.


Lembremos-nos do que ele era no interior, julgando-o, pelo suas próprias palavras, crapuloso, entregue aos prazeres da mesa e da voluptuosidade, como atrás já se disse.


Havia anos que o reformador, em nome de liberdade evangélica, entrara no caminho da libertinagem, abolindo os votos religiosos e convidando monges e monjas a abandonarem os seus conventos, a renegarem os seus votos, especialmente o de castidade, PALAVRA SEM SENTIDO e aspirações sem realidade para o reformador.



Afinal começou a exaltar o matrimônio e a fazer acreditar que a Igreja Católica considera como pecados mortais todas as palavras e ações das pessoas casadas.


Nenhum católico jamais acreditou nesta absurda doutrina, pois em parte alguma a vida conjugal é considerada tão altamente e tida como tão santa e sagrada, como na Igreja Católica.


Apreciando a castidade do estado virginal, como sendo mais excelente e espiritualmente mais desejável do que a vida matrimonial, a Igreja não rebaixa a esta última, mas apenas repete os ensinamentos positivos de Jesus Cristo de de São Paulo:


“Todo aquele que tiver deixado... mulher... por amor de meu nome, receberá o cêntuplo neste mundo e a vida eterna (São Mateus, 19,29).


“Quem dá a sua filha em casamento faz bem; mas quem não a dá faz melhor! (1 Cor. 7, 38).


Vejamos aqui a tríplice mudança que Lutero introduziu no matrimônio. EM PRIMEIRO LUGAR, NA Igreja o Matrimônio é uma SACRAMENTO. Lutero tirou-lhe o seu caráter sacramental, secularizando-o inteiramente...


Para ele, casar é uma coisa externa, necessariamente, tanto quanto o comer, o beber e o dormir (Erlangen XVI. P.519). Por isso, o reformador tira esta bela conclusão:


“Como eu posso comer, beber, dormir, passear, cavalgar, negociar e tratar com um pagão, judeu, turco e herético, assim também posso casar e permanecer como casado” (Erlangen p.205).


EM SEGUNDO LUGAR, Lutero, e não a Igreja, é quem ensinou que o matrimônio era inevitavelmente pecado. Eis a curiosa expressão dele:


“A obrigação matrimonial nunca é desempenhada sem pecado” (Weimar vol. XX. 2 p.304)


Este pecado, que ele atribui aos casados, é descrito por ele como


“...não diferindo em nada, por sua natureza, do adultério e da fornicação” (Ibd. Vol. VIII p. 304). Para completar o absurdo da sua doutrina, ele acrescenta que o pecado necessariamente cometido pelos casados, nada vale perante a misericórdia de Deus, “Visto ser impossível evitá-lo, embora sejamos obrigados a abstermos dele” (Ibid. p.654).


Parece loquacidade de um bêbado, de um louco a falar sem lógica e sem saber o que diz.


Imaginem: ¨UM PECADO – QUE NÃO SE PODE EVITAR – mas que é, entretanto, proibido!... Só mesmo Lutero para imaginar três contradições tão ridículas e vergonhosas.


EM TERCEIRO LUGAR, Lutero considera o casamento como uma rigorosa obrigação, apoiando-se erradamente sobre a bênção de Deus, no paraíso, que ele interpreta como lei universal:


CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS, Palavras dirigidas, por certo, a homens irracionais, mas não como um ORDEM a todo indivíduo em particular e, sim à espécie humana que, pela fecundidade e expansão, devia propagar-se e encher a terra.


Deste modo Lutero criou um novo mandamento, colocando-se em oposição às palavras de N.Senhor e de S. Paulo já citados, que recomendam altamente a virgindade, mas não impõem este estado como preceito.


Numa carta ao Arcebispo Alberto, em 2 de junho de 1525, ele explica assim a sua lei, até então desconhecida:


“É uma coisa terrível para um homem achar-se sem mulher na hora da morte. Ele deve ter ao menos a intenção e a resolução de se casar”.


Que horror! Que há de fazer um moribundo? Só se casando na outra vida, apesar da palavra do mestre: “NA RESSURREIÇÃO, NEM OS HOMENS TERÃO MULHERES, NEM AS MULHERES TERÃO MARIDOS; MAS SERÃO COMO OS ANJOS DE DEUS NO CÉU” (Mateus 22,30).

Lutero continua:


“Que resposta dará ele ao Altíssimo Deus, quando este perguntar: “Eu te fiz homem, não para estares só, mas teres mulher. Onde está a tua mulher?”


Eis Lutero reformando a S. Paulo, que disse: “É BOM QUE O HOMEM NÃO TOME MULHER” (1Cor. 7,1).


Ele continua descaradamente a expor suas opiniões casamenteiras, infringindo doas as leis do pudor:


“A palavra de Deus e a sua obra são evidentes: a mulher deve ser usada para o matrimônio ou para a luxúria” (Erlangen. Vol. 61, pág. 6)

O FEMINISMO DE LUTERO


Eis aqui a lei de Lutero:


“Todo o homem deve ter a sua mulher e toda mulher deve ter o seu marido” (Weimar. Vol.20 pág.276)


Ele admite umas exceções, mas estas são feitas por Deus e são ADMIRÁVEIS e ninguém pode pretender a um tal milagre.


Quereis agora saber como Lutero, o reformador enviado pro Deus, no conceito protestante, considera a mulher? Lede o seguinte tópico de uma das suas cartas:


“O corpo das mulheres não é forte, e a sua alma é ainda mais fraca, no sentido comum. Assim lê um assunto sem importância que o Senhor coloque uma selvagem ou civilizada ao nosso lado. A mulher lê meio criança. Aquele que toma uma mulher deveria considerar-se como o guarda de uma criança... ela é semelhante a um ANIMAL CAPRICHOSO (ein tolles tier). Reconhecei a sua fraqueza. Se nem sempre passeia por caminhos direitos, guiai a sua fraqueza. Uma mulher permanece eternamente mulher” (Weimar – Vol. XV. ´. 420).


Eis uma pequena amostra de suas idéias neste assunto.


Muitas outras passagens há em seus escritos, porém vergonhosas demais, paras serem citadas em público.


É conhecida a licença dada por Lutero ao Landgrave de Hesse, para ter duas mulheres ao mesmo tempo.


O reformador dá-lhe a licença pedida, exigindo segredo, porque, diz ele, “... a seita protestante é pobre e miserável, e precisa de justos legisladores” (De Wette vol. V – pg. 237).


O direito de possuir muitas mulheres era abertamente pregado por Lutero:


“Não é proibido ter o homem mais de uma mulher. Hoje eu não poderia proibir isto” (Erlangen vol. 33 – pág. 324).

“Confesso”, diz ele ainda, “que se um homem deseja casar com muitas mulheres, eu não posso proibir isto, pois não é oposto à S. Escritura” (Ego sane fateor me non posse prohibere, si quis plures uxores velit ducere, nec repugnat sacris litteris) – (De Wette vol. II p. 459).


Com tais princípios a porta da poligamia estava escancarada e cada qual, transpondo-a, podia trilhar o caminho da animalidade.


O Landgrave de Hesse o compreendeu muito bem e melhor ainda o aplicou:


“Se é justo em consciência perante Deus”, disse ele, “que me importa o mundo amaldiçoado?”.


O adultério, com o consentimento do marido, é também expressamente sancionado pelo reformador, quando do casamento não resultar família.

A criança, assim gerada, diz ele, deve atribuir-se ao marido legal (Weimar vol II. P. 558).



Conservar uma amásia também é fortemente recomendado àqueles que por votos se devem conformar com a lei do celibato.


O moralista da lama escreve sobre os transgressores das leis matrimoniais:


“Deixemos que casem secretamente com a sua cozinheira” (Landerbach: Tagebuch, p. 198)


Aos membros da Ordem Teutônica (cavaleiros seculares) a quem era imposto o celibato pela lei da cavalaria daquele tempo, e que pensavem pedir dispensa desta ao Concílio (o que lhes era permitido, pois eram seculares), ele escreveu assim:


“Eu preferia confiar na graça de Deus com relação àquele que tem duas ou três concubinas a confiar em quem possui uma esposa legal com o consentimento do Concílio” (Weimar. Vol. XII p.237)


Quando ao que o apóstata diz da esposa que recusas a sua obrigação, lê vergonhoso citar as palavras do inflame moralista. Ele escreve:


“Se a mulher não quiser, deixemos vir a criada. O marido tem somente que deixar ir Vasti e tomar uma Ester, como o rei Assuero” (Ibid. Vol. X. p.290)

“E se a esposa reclamar, o marido deve responder à admoestação: Vá para o diabo” (Ibid. vol III. P. 222).

Passagens tais são abundantes nos escritos do reformador.
Apesar de bastante repelentes, convinha citar estas, para mostrar a verdadeira fisionomia do libertino Lutero, o homem que os protestantes dizem divinamente apontado por Deus para a missão de reformar a Igreja Católica.

Às vezes, de acordo com as necessidades, Lutero tem passagens diametralmente opostas a estas aqui mencionadas; é o resto das sua herança católica. O que está aqui expresso é dele e só dele; é a sua doutrina reformada – é o seu evangelho.
Poderá uma senhora protestante simpatizar com este seu fundador e modelo que trata tão mal e desrespeitada de modo tão claro a fama e o pudor da mulher?...
É simplesmente infamante e horrendo, baixo e vil o conceito de Lutero sobre as mulheres que garante serem todas impuras e pecaminosas (Erleangen vol. II pág. 66).

Pobres protestantes, é para cobrirdes o rosto de pejo, diante de um tal pai...
Suponho que não sois bons protestantes, porquanto, se o fosseis, seguiríeis o exemplo de vosso pai... e não acredito que o façais.
Prefiro supor-vos maus protestantes, para vos poder considerar bons cristãos... homens de fé e pessoas de moral.


RAPTORES E RAPTADAS

As idéias do “reformador” sobre o matrimônio nos revelam a podridão moral dele e da sociedade de então em plena decadência e sem freio moral.

Numa atividade furibunda, febril, parecendo excitada pelo próprio demônio, Lutero multiplica pasquins dirigidos a todos, seculares e religiosos, homens e mulheres sem exceção. Leram-nos uns por curiosidade, atraídos pelo tom inflamado do estilo e, outros, por perversidade, a fim de com os maus levar avante a infernal reforma.
Até mesmo nos conventos as doutrinas perversas penetraram.

Lutero considerava a castidade como um milagre conforme escreveu ao prior de Lichtemberg:

“Os votos religiosos”, escreve ele, “são nulos, pois exigem o impossível. A castidade não está em nosso poder, como não está a faculdade de fazer milagres. O homem não pode vencer a inclinação natural ao casamento. Quem quiser ficar solteiro deve depor o título de homem e provar que é um anjo ou um espírito, pois Deus não concede isto a um homem”.

O pobre prior, que por fraqueza sentia imenso desejo de depor o jugo divino, seguiu o conselho de Lutero e afinal se casou.

Tais doutrinas atraíram certas monjas ou falsas freiras que haviam abraçado a vida claustral, sem vocação, por interesse ou por desgosto do mundo, achando elas na doutrina do falso frade um meio de se libertarem de um fardo que não podiam suportar, pois haviam abraçado a vida claustral sem vocação, por interesse ou por desgosto.

Havia em Nimbschen, perto de Grimnia, um convento de Cistercienses, onde imprudentemente as superiores haviam admitido moças mundanas, que ali procuravam antes salientar-se do que santificar-se.

Uma dentre elas entraram em entendimento com Lutero, que as aconselhou a deixarem o convento e a se reunirem perto dele a fim de se casarem.

O reformador organizou um rapto, que confiou a seu amigo Leonardo Koppe, mestre na arte.

Na quarta-feira Santa de 1523, com 16 companheiros, já 
invadira ele o convento dos franciscanos de Torgan, lançando por cima do muro os religiosos que se haviam oposto e arrancando portas e janelas, porque os franciscanos não aceitaram a reforma, nem a liberdade proposta.

Koppe, sob as ordens de Lutero, preparou para as monjas de Nimbschen uma fuga dramática.

No sábado de Aleluia entrou no convento com um carro coberto, cheio de mercadorias, para a provisão das religiosas.

As monjas rebeldes ficaram de sobreaviso e tomaram as suas providências.

Enquanto descarregavam a carga, 12 monjas sorrateiramente ocupara o caminhão vago, sem que o resto da comunidade desse pela evasão das luteranizadas, que seguiram para Wittemberg, onde foram acolhidas por várias famílias protestantes.

Lutero intitulou Koppe de “Bem-aventurado ladrão! E o comparou ao Cristo que também, tal um vencedor sublime, havia arrancado o seu reino das garras do príncipe do mundo. O pastor Amsdorf ofereceu logo uma das fugitivas em casamento ao vigário apóstata, dizendo como se se tratasse de coisa qualquer:

“Se quiseres uma mais nova, podes escolher entre as mais belas” (Kolde Analecta Lutherana, p. 443)

O que nos dizem os contemporâneos sobre a moralidade destas infelizes egressas às quais se havia pregado a inutilidade das boas obras e a irrestibilidade da concupiscência, é realmente doloroso e humilhante (Leonel Franca: Lutero e o Sr. Fr. Hansen).

Melanchton, referindo-se às relações de Lutero com estas infelizes decaídas, deplorava a sua influência amolecedora, por se capaz de baquear os caracteres de mais rígida têmpera.
Outro luterano, Eoban Esse, afirmava em 1523 que tais apóstatas não se deixavam vencer, em lascívia, por nenhuma cortesã (Nulla Phylles nonnis est nostri mammosior –Epíst. Fam. Morpugi p.87)


 CATARINA DE BORA


Entre as egressas, saído do convento por influência de Lutero, se achava Catarina de Bora.

“Sem ser uma beldade, diz Grisar, Catarina ambicionava esposar Lutero ou Amsdorf”. Para ilaquear o seu preferido, multiplicou as armadilhas da astúcia feminina.

Pelas referências contemporâneas, os precedentes de Catarina não recomendavam muito sua moralidade.

Khatarina von Bora

A 10 de agosto de 1528, Joaquim de Heyden escrevia à própria Catarina, recriminando-lhe o haver entrado em Wittemberg, como uma bailarina, e de aí ter vivido com Lutero, antes do casamento, como uma miserável decaída (Enders Vol. VI p.334).

Em 1523 já estivera em relações amorosas com Jerônimo Baumgastner, que mais tarde (1529) se casou com outra.

No mesmo ano (1523) Cristiano [II], rei da Dinamarca, desterrado, passou por Wittemberg e aí conheceu Catarina, que deste encontro conservou como lembrança significativa o presente de um anel (Koestlin: Luter I. p.728).


Eis os predicado de tal “nobre senhora, digna de todo respeito, pelos seus dotes de espírito e de coração” tal como os protestantes o pretendem.


Vê-se logo, pelos fatos, que Catarina era uma criatura viciada, namoradeira, à cata de casamento, pouco diferindo de uma mulher perdida.
Lutero se deixou “fisgar” por ela. É a palavra de Melanchton.


Qual teria sido a vida e quais as relações de Lutero e de Catarina, antes do casamento?


Pelo que vimos atrás descrito sobre a sua vida e os excessos praticados em Wittemberg, é difícil conjeturá-lo, se bem que a história não o relate, pois são coisas que não se descrevem e que o pouco de vergonha nele ainda existente o impedia divulgar.


Escrevendo a Ruthel, conselheiro de Mansfeld, o reformador disse:
 “Se puder, a despeito do demônio, ainda hei de casar com Catarina” (De Wette II. p. 655).

Todas as suas liberdades com ela transpareciam em público e davam pasto às murmurações e comentários desfavoráveis. O apóstata resolveu por termo a todos os boatos, pela realidade do fato.

No sermão sobre o matrimônio Lutero havia dito:
“Do mesmo modo que não está em meu poder deixar de ser homem, assim também não posso viver sem mulher, e isto me é mais preciso que o comer e beber”

Considerando uma necessidade, o reformador quis satisfazê-la, e decidiu tomar por companheira a “sua” Catarina, ex-monja Cisterciense.


 O “CASAMENTO” DO LUTERO


Lutero seguiu de maneira apressada os conselhos que dava aos outros.

Examinando de perto a história, nota-se claramente que não se tinha casado logo, depois de sair do convento, por medo de desagradar ao seu protetor Frederico de Saxe que manifestara várias vezes repulsa por estas “uniões de ex-monjas com ex-monges”.


Em 5 de maio de 1525 Frederico faleceu... e em 13 de junho ecoou no mundo reformado, como uma novidade inesperada, a notícia do casamento do ex-monge de Wittemberg, “o enviado de Deus, para restabelecer a pureza do Evangelho e da moralidade”...


O concubinato de Lutero foi, para Melanchton, um verdadeiro estampido de raio, tal o escândalo que lhe causou: os outros discípulos do chefe riram-se a valer.

Para o mundo era uma novidade; para Lutero e Catarina era coisa velha...


Na noite de 13 de junho foram realizadas, na casa de Lutero, as formalidades de tal concubinato, pelo pastor, ex-vigário de Wittemberg: Johan Bugenlagen. Poucas testemunhas foram admitidas. Somente puderam entrar Justus Jonas, o pintor Lucas Cranach e esposa, e o professor Dr. Apel. A festa exterior ficou marcada para os primeiros dias de julho.


Eis Lutero e Catarina, ambos ligados pelos votos de castidade, feitos sacrílegos das suas promessas, não podendo casar-se, mas entrando solenemente numa vida de concubinato que duraria até a morte.
Eis as sete principais razões que próprio Lutero aduziu para justificar a sua aliança sacrílega:


1) – Fechar a boca dos que o acusavam de relações ilícitas com Catarina;
2) – Compadecer-se da pobre monja abandonada;
3) – Envergonhar os católicos que pretendiam que o casamento seja antievangélico (segundo Lutero);
4) – Seguir o conselho de seu pai, que chamou os seus votos um obra do demônio;
5) – Costurar a boca de seus amigos, que zombavam de seu plano de casar-se;
6) – Resistir ao ódio do demônio, em conseqüência da guerra dos camponeses, pois estes estavam furiosos contra Lutero, devido às suas atitudes hipócritas;
7) - Podemos juntar a isto a expectativa de Lutero segundo o qual brevemente o mundo haveria de acabar, e Deus o encontraria assim casado.


Temos, deste modo, diante de nós um curioso fenômeno psicológico: um candidato à morte e ao casamento.

Eis o que ele escreveu após o concubinato:


“Com este casamento, eu me fiz tão covarde e desprezível; espero que os amigo há de rir, e que os diabos hão de chorar. O mundo, com os seus sábios, não reconhece ainda a fervorosa e santa obra de Deus e só para mim a consideram uma obra ímpia e diabólica”.


O amigo de Lutero, Jerônimo Schurf, havia declarado pouco antes do amacebamento:


“Se este monge tomar mulher, o mundo inteiro e até o diabo darão gargalhadas” (Annales Evangelii I. p.274).


Erasmo ridicularizou assim o reformador:


“Outros terminam tragédias com casamento; aqui é um drama que assim finda... Entre os cômicos o barulho acaba igualmente pelo casório, e tudo fica em paz... Entre os protestantes acontece o mesmo... Lutero deu o exemplo... Ele se torna agora mais calmo e não se exalta mais tanto na pena. 

Ninguém é tão bravo que a esposa não possa acalmá-lo” (Op. Lugd. Batav. 1703, III Coll. 900 Dec. 1515).



A 13 de maio de 1526, Erasmo teve de dizer o contrário da última frase, declarando estar Lutero mais furibundo do que antes.

Eis como terminavam as façanhas de Lutero e onde terminam as farsas de todos os seus imitadores: os renegados e apóstatas. Todos eles podem repetir a frase de seu pai: carnis meae indomitae uror magnis ignibus, eis que deixei, em troca de uma mulher, a minha dignidade, a minha fé, e vendi a minha alma.

É a história a repetir-se sempre: a mesma corrupção e idêntico remédio.

Quando um infeliz sacerdote, roído no íntimo pelo cancro da impureza, lança ao mundo o seu EUREKA: “Achei a luz... ” e publica o seu panfleto “Porque deixei a Igreja Romana”, basta apenas examinar-se atrás da cortina: ali estará oculta a “sua” Catarina.

São apóstatas, porque são libertinos.

Deixam a Igreja que exige a castidade de seus ministros, porque em suas almas entrou o vício da devassidão.

São frutos que caem, por estarem apodrecidos por dentro. São capim inútil, ervas daninhas, que, segundo as expressão protestante de Klaus Harm, foram relegadas, porque, “quando o Papa limpa os seus domínio, joga o que não presta no arraial protestante”.

 CONCLUSÃO

É tempo de cessarmos a exposição de uma cena tão triste, mais parecida com um quadro de romance imaginário, que com um episodio da vida real.

Tudo o que os adeptos do “pai” do protestantismo escreveram sobre os predicados morais do “grande homem”, não passa de invencionice. Elemento mais perdido e baixo é impossível aparecer. A pequena amostra acima é o suficiente para demonstrá-lo. E note-se bem nada ter sido aqui inventado, mas baseia-se tudo nos escritos do próprio reformador e de seus contemporâneos que, de certo, não aumentaram, mas restringiram o mais possível o lado vergonhoso dos fatos. Seria este crapuloso homem aquele que Deus destinara para reformador da Igreja Católica?

O verdadeiro retrato de Lutero, o único que a posteridade pode admitir, é o que a nós foi transmitido pela história real e genuína dos fatos.

À vista de tais delitos e baixezas, bem podemos repetir a palavra do divino Mestre: “EX FRUCTIBUS EORUM CONGOSCETIS ILLOS: Pelos seus frutos os conhecereis.

Vimos de perto os frutos da reforma: são tristíssimos, mas são dignos rebentos da árvore que Lutero plantou com sua triste rebelião e o exemplo de sua mais deplorável vida.





(Trechos do livro 'O diabo, lutero e o protestantismo', Pe. Júlio Maria)

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